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segunda-feira, 12 de abril de 2010

Bastardos Inglórios











Sinceramente eu achei que essa não seria uma boa história, mesmo sendo do Tarantino; ainda bem que eu estava enganado. Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds, 2009) é um ótimo filme, divertido e bem dirigido. Os elementos tarantinescos voltam com força: o tom didático, a extrema violência, a podolatria, mesmo que sutil, e a paixão pelo cinema, aqui mais escancarada do que nunca, sendo importante elemento da própria história contada; as referências ao cinema e sua história estão em toda parte, nos nomes, cenários, explicação sobre a inflamabilidade do celulóide etc. O que tem de genial na história é o fato de ser uma ficção, ou seja, o Tarantino teve a brilhante idéia de recontar a história a sua maneira e isso agrada muito e sacia um pouco a insaciável vingança contra os horrores do nazismo. Duas cenas marcantes foram a que o coronel Hans Landa interroga a espiã/atriz Bridget Hammersmark pegando em seu pé engessado (alto nível de tensão), e o outro momento (para mim a mais bela cena do filme) é a morte de Shosanna, toda de vermelho com os fragmentos de sangue saindo do seu ventre como rosas purpúreas. A trilha sonora, dessa vez, não é brilhante, mas não deixa de ser eficaz. Quanto ao elenco, tem a curiosa presença de Mike Myers (só curiosa), e o único que chama atenção e surpreende pelo magnífico desempenho é o Christopher Waltz, como o caçador de judeus, roubando todas as cenas em que aparece; já na abertura ele consegue nos cativar, mesmo seu personagem sendo nefando, num jogo verbal e psicológico, dirigido com primor por Tarantino. Indicado aos Oscars de filme e direção, venceu o de ator coadjuvante. Curiosidade: em Portugal o título do filme é Sacanas Sem Lei; achei hilário.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Guerra ao Terror


Guerra ao Terror (The Hurt Locker, 2008) é um filme que foi lançado no Brasil em DVD antes até de estrear nos cinemas nos EUA, isso pelo fato de ter sido um filme independente e sem grandes pretensões; já foi visto por muitos e causa surpresa agora o estardalhaço que vem causando por causa dos prêmios importantes que ganhou e que ainda pode ganhar no dia do Oscar. É um filme de guerra muito interessante por trazer um enfoque diferente, aqui predomina o ponto de vista particular do soldado, seus sentimentos, temores, lembranças, mesmo ele estando trabalhando em conjunto com seus companheiros; quando estão sós, estão de fato. A ação também é diferente da de outros filmes de guerra, fora uma ótima sequência de troca de tiros com o inimigo, a ação se concentra no tenso desarmamento de bombas por uma equipe de soldados especialistas nessa tarefa. Cada vez que são chamados quando há uma suspeita de bomba, a tensão até o fim da operação é crescente, e o fato da diretora ter filmado essas cenas sem pressa nenhuma, dá a elas grande veracidade. É interessante e até curioso o trabalho do líder da equipe, o experiente sargento William James, pois ele tem que descobrir as bombas nos lugares mais inusitados e bem escondidos. Particularmente não consegui sentir toda essa tensão, porque como eu via nitidamente que o sargento James era o mocinho da história, sabia que nada de mau lhe aconteceria, mas eu via o nervosismo de quem assistia. Mais em James que nos outros personagens, vemos toda a carga emocional gerada pela guerra; ele é um homem extremamente controlado na sua função e apenas nela, ao ponto de ser insofrível ao constante risco de morte; nessa loucura bem intencionada, ele chega a arriscar a vida de seus companheiros. A diretora Kathryn Bigelow, mais conhecida pelo filme Caçadores de Emoção, conduz o filme com mão forte, usando uma estética de documentário, edição das mais eficazes, e economia de diálogos. Há uma cena particularmente chocante e que leva à emoção, a descoberta, por James, do corpo de um menino com quem ele fez amizade; talvez por vingança contra o sargento, o menino é morto e seu corpo preenchido com bombas (uma armadilha). A reação do sargento é desesperadora, e é aí que a atuação de Jeremy Renner ganha força. O filme é excelente em quesitos técnicos e foi indicado por eles aos Oscars de fotografia, montagem (edição), som, edição de som e trilha sonora. Não é um filme excepcional, mas foi indicado para Oscars mais importantes como filme, direção, ator e roteiro original. Talvez isso se deu devido à importância do tema guerra ao terror para os americanos. Fato interessante: Guerra ao Terror recebeu nove indicações ao Oscar, mesmo número que Avatar, sendo seu concorrente mais direto ao prêmio; isso põe James Cameron numa disputa com sua ex-mulher, Kathryn Bigelow.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Círculo de Fogo


Um filme vigoroso já na abertura; as cenas de batalha são espetaculares, o que não afeta o tom realista da ação. Situa-se em 1942, Stalingrado e tudo o que esta cidade representava no momento. Mostra o Exército Vermelho em defesa de seu Estado. A preparação dos jovens soldados é feita debaixo de fogo e eles são despejados no horror; as cenas cruentas impressionam. Uma realidade amara, mostrada no filme, é o tratamento dado ao soldado que se acovarda, deserta ou que quer fugir da guerra, ele é morto sem dó pelos seus superiores. Uma coisa é fato, o inimigo alemão não pisou o solo de Stalingrado. No meio do filme, a guerra sai do geral para o particular e assistimos a um interessante confronto entre franco-atiradores, e foi bom isso acontecer, já que o filme, uma produção americana tende a tomar partido dos soviéticos, quando sabemos que nenhum ali era flor que se cheire. Outra coisa que o filme mostra bem é que na guerra, certas aptidões ficam mais aguçadas, e a inteligência é uma delas, tanto a de um perito no tiro, quanto a de uma mãe deseperada. O elenco é otimo, destaque sempre para Ed Harris. A Trilha sonora é magnífica. E, como se trata de uma produção americana, o final é milagrosamente (ou forçadamente) feliz.