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sexta-feira, 2 de abril de 2010

A Cor do Dinheiro




Desafio à Corrupção

O filme Desafio à Corrupção, de 1961, foi dos grandes filmes da carreira do Paul Newman, lhe valendo uma indicação ao Oscar, ao dar vida a Eddie “Fast” Felson. O diretor, Martin Scorsese, traz de volta esse maravilhoso personagem com o mesmo maravilhoso ator que o deu vida no cinema e, dessa vez, premiado com o Oscar. Tanto Scorsese como Paul Newman foram muitos inteligentes na reconstrução do velho mestre da sinuca, mostrando sutilmente o que o tempo fez com ele. Tom Cruise e Mary Elizabeth Mastrotonio também estão ótimos no filme, ele como jovem inexperiente, apesar de talentoso, que se deixa levar como títere pela ambição; ela como mulher sensata o bastante para sempre tomar a decisão certa. A Cor do Dinheiro (The Color of Money, 1986) é um filme envolvente, não chagando a ser tão bom quanto Desafio à Corrupção, mas que vale muito a pena ver, principalmente pela atuação de Paul Newman.

Taxi Driver




Taxi Driver (Taxi Driver - Motorista de Taxi, 1976), nos faz mergulhar na vida de Travis, um desajustado sempre à margem da sociedade, e o fato de ser ex-combatente na guerra do Vietnã e sofrer de insônia, não ajuda muito. Travis vai de desilusão em desilusão ficando cada vez mais paranóico e anti-social (as tentativas que faz para evitar isso, são baldadas; a idéia de fazer Travis levar a garota por quem se apaixona a um cinema pornô é genial) até chegar a um ponto de estar desesperado em busca de algum tipo de refrigério que apenas sacia-se violentamente. Travis não tolera os marginalizados dos quais não se dá conta de que também é um, mas a culpa não é dele e nunca sentimos raiva dele, pelo contrário, sentimos uma dó por ele o tempo inteiro e o filme todo é muito triste; é um filme sobre solidão e carência; um filme com um quê de Dostoievski. O encontro com Íris, a prostitua de treze anos (pequena grande Jodie Foster), é uma oportunidade de redenção para ambos e a relação entre os dois é de puro afeto. A direção de Scorsese é perfeitamente ou especialmente crua nesse filme (mostrando que a realidade que o governo passa como oficial, está longe de ser compatível com a realidade das ruas), e ele dá ao filme uma esmagadora verossimilhança mesmo em situações que fogem à realidade. O Filme venceu a Palma de Ouro e consagrou mais ainda a carreira de Robert De Niro, que atua maravilhosamente aqui (com direito a cena improvisada por ele, em que repete no espelho o famoso “Are you talkin’ to me?”, frase que dá nome a este blog. conta ainda com uma linda Cybill Shepherd. Indicado aos Globos de Ouro de ator e roteiro e indicado aos Ocars de filme, ator, atriz coadjuvante e trilha sonora. Imperdível.

Os Infiltrados




Os Infiltrados (The Departed, 2006) é um filme instigante, com trama complexa e adornado com soluções visuais criativas, mostrando que o tempo não limou as boas idéias do Scorsese, e boas idéias são uma das características de um grande diretor sempre. Esse jogo de gato e rato é uma refilmagem do filme Conflitos Internos, de 2002. O elenco é ótimo: além de Jack Nicholson, se destacando os dois agentes interpretados por Matt Damon e Leonardo DiCaprio, em atuações inspiradas. E as ótimas qualidades técnicas dos filmes do Scorsese, mormente edição e trilha sonora.

O Rei da Comédia



Esse é um filme curiosíssimo, pelo fato de talvez ser o contrário de uma comédia. Não dá para ter uma noção das estruturas dos personagens em só uma assistida. A primeira das amargas ironias está no título, o filme é apresentado como comédia, o personagem principal se vê ou tem a pretensão de ser comediante, e o verdadeiro comediante da história não tem nada de engraçado na sua vida real. Ou seja, tudo que se pretende engraçado, não é de fato. É tudo aparência e fingimento, ou melhor, amarga ilusão (por mais que se acredite nela). Acho uma ousadia do Scorsese ter feito O Rei da Comédia (The King of Comedy, 1982) e uma ousadia maior ainda do Robert De Niro fazer um homem mais que patético, pelejando para ser o rei da comédia, e ainda por cima atuar com Jerry Lewis numa área que ele domina; o resultado foi uma atuação excelente, assim como a do próprio Lewis. A presença excêntrica da Sandra Bernhard é algo que sempre me agrada. Bom filme para reflexão.

Depois de Horas



Scorsese consegue pintar sua querida Nova York das formas mais pungentes ou mais sutis, como nessa “comédia”, nos mostrando os vários tipos da cidade e suas loucuras particulares e coletivas. Depois de Horas (After Hours, 1985) é tido por um dos mais completos e complexos do Scorsese, dando margem a interpretações diversas. Griffin Dunne está ótimo como o cara que se vê envolvido em uma engraçada (para nós) seqüência de equívocos. Palma de Ouro de direção.

Cassino


Cassino (Casino, 1995) é mais um filme sobre máfia, baseado em uma história real e dirigido por Martin Scorsese. No elenco, nomes consagrados com quem Scorsese gosta de trabalhar, Robert de Niro e Joe Pesci. Thelma Schoonmaker mais uma vez edita maravilhosamente bem um filme do Scorsese, o que lhe dá muito de sua força. Não dá para negar as semelhanças, em muitos aspectos (elenco = personagens, edição, trilha sonora, e o fato de ser uma adaptação de um livro do Nicholas Pillegi), com Os Bons Companheiros, e isso talvez tenha prejudicado o filme no sentido de não apresentar idéias originais. A surpresa do filme foi o reconhecimento do talento dramático da Sharon Stone (linda e exuberante); ela já tinha demonstrado esse talento antes, mas só aqui foi reconhecido, gerando o Globo de Ouro de melhor atriz e uma indicação ao Oscar na mesma categoria.

Cabo do Medo


Cabo do medo (Cape Fear, 1991), nova versão do cult O Círculo do Medo (de 1962), é um suspense eletrizante que conta a história de um ex-condenado obcecado por vingança. Robert De Niro faz um super vilão que entrou para a história do cinema. Juliette Lewis, em mais uma de suas perturbadoras atuações, também chama atenção. Ainda no elenco os ótimos Nick Nolte e Jessica Lange. Muito bom.

“Tanto quanto eu posso lembrar, eu sempre quis ser um gangster”.


Um dos melhores filmes sobre a máfia norte americana, realizado com brilho e vigor por Martin Scorsese, um craque no assunto. Os Bons Companheiros (Goodfellas, 1990) é uma adaptação de um livro baseado numa história real e sua truculência impressiona. Os diálogos são ótimos, pois o próprio Nicholas Pillegi, autor do livro, contribuiu no roteiro. Excelente trilha sonora e outra vez Thelma Schoonmaker genial na edição. As atuações de Robert De Niro, Ray Liotta, Lorraine Bracco e Paul Sorvino estão perfeitas, e Joe Pesci se destaca numa atuação incrível, vencedora do Oscar de ator coadjuvante. Grande obra.

sexta-feira, 19 de março de 2010

"A harmonia pode ser quebrada por um sussurro"






Tanto o filme, A Época da Inocência (The Age of Innocence, 1993), como o romance original de Edith Wharton (vencedor do Pulitzer de 1921 e já adaptado duas vezes antes para o cinema, em 1924, versão muda, e em 1934), fazem uma densa crítica à sociedade americana do século XIX, focando especialmente a “aristocracia” da Nova York daquele tempo; uma sociedade avara em virtudes, onerosa em futilidades. O desejo constante de aparentar o que não eram, almejando similitude com a aristocracia européia, tornava-os nobres fictícios e ridículos genuínos. Não raro essa burguesia com ares aristocratas via-se frustrada, sendo a frustração um sentimento que sempre causa nada menos que uma infelicidade conformada. Essa sociedade tentou, sem muito êxito ou com êxito apenas aparente, emular os nobres que eles, burgueses, tiraram do poder, coisa que sempre acontece. Martin Scocerse retrata tudo isso com muito esmero e o filme dá gosto de ver, pela beleza de cenários e figurinos, numa reconstituição de época primorosa. O elenco principal está excelente, Daniel Day-Lewis como Newland Archer, um homem dono de uma paixão tão forte quanto pusilânime; Winona Ryder como May, a esposa convenientemente ingênua; e Michelle Pfeiffer (especialista em personagens sofridas) como Olenska, uma mulher que sacrifica tudo menos a integridade de sua consciência. A condessa Olenska tem a coragem (devido à época) de separar-se de seu marido, um nobre europeu. De volta da Europa, ela tem fria e hipócrita recepção da sociedade nova-iorquina; não a querem receber; sua família manda convites que recebem o declínio de todos, e a situação só reverte-se em favor da condessa quando uma nobilíssima casa decide interferir e fazer a própria festa de recepção da condessa; mesmo considerando má coisa receber a divorciada, essa sociedade considera coisa muito pior não aparecer em festa de casa tão solene. Tudo isso é mostrado com uma beleza e requinte altíssimos. Para definir o desquite, o advogado responsável é o mesmo que tomou partido no caso da recepção à condessa e é, também, o marido de sua prima May. Newland Archer é um romântico estagnado, que vê na atitude da condessa não apenas romantismo, mas coragem e fuga; não demora para que se apaixonem, fazendo brotar mãos ávidas para descortinar o pano da tragédia. Tudo é narrado pela grande Joanne Woodward, de as Três Máscaras de Eva. Este é um filme muito especial na história do cinema e na cinebiografia de Martin Scorsese, que consegue, mais uma vez, fazer um belo estudo de sua querida Nova Iorque. A obra é cheia de sutilezas e a cada vez que a vemos percebemos novas nuanças, pois os detalhes, em todos os níveis, são tão ricos quanto implacáveis. Os maravilhosos diálogos tem cores escarlates de tão brutais, evidenciando a crueldade do romance, em cenas como a do píer; Antônio Abujamra chegou a afirmar sobre o filme “Nada mais violento sem mostrar a violência”. A época era a da inocência, destruída pelas mãos em luva de seda das convenções sociais. Ganhou o Oscar de figurino e o Globo de Ouro de atriz coadjuvante para Winona Ryder. Magnífico filme.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Alice Não Mora Mais Aqui


Alice é uma dona de casa infeliz e frustrada, que vê na morte do marido um caminho de libertação e ponte para realização de sonhos antigos. Ela pega seu filho de onze anos e parte para a Califórnia para tentar uma carreira de cantora. No caminho, se envolve com um homem casado e violento, o que a obriga a uma fuga. Durante o caminho se vê obrigada a nova parada, arruma emprego como garçonete, conhece uma grande amiga e depois um novo homem. Desta história nada excepcional, Martin Scorsese fez um filme muito humano e maravilhoso, precioso em detalhes e com a interpretação primorosa de Ellen Burstyn, que ganhou o Oscar por este trabalho.