E Sua Mãe Também é uma película completamente intimista em seu texto, ambientação e atuação. Um filme que gera identificação no espectador por abordar algumas questões comuns a todos nós, em quem é ou em quem já foi jovem algum dia. Mostra uma aventura, só posso chamar assim, de dois adolescentes, Tenoch e Julio, e uma mulher, Luisa, mais madura que eles, mas nem tanto assim, ela ainda nem é balzaquiana; uma aventura pelas estradas do México em busca de uma praia da qual eles nem tem a certeza de existir. Nesse sentido o filme é um road movie dos mais atraentes, e o México que vai sendo descortinado me lembrou muito algumas regiões do Brasil, assim como as cenas na praia me lembraram meu estado, Pernambuco. Essa viagem é feita com eles dentro de um mundo particular só deles, enquanto a dura realidade é mostrada caminhando nas bordas, uma realidade que simplesmente vai acontecendo durante o caminho. Os três amigos em seus descontraídos diálogos, contam tudo e, no entanto, deixam muita coisa por contar. Vamos deduzindo tudo com o desenrolar da história, com o narrador, e nas entrelinhas. Só no final, por exemplo, descobrimos o verdadeiro motivo de Luisa ter viajado com os dois jovens; até ali achamos que era uma viagem de desforra ou de escape. Foi na verdade uma viagem de despedida. Descobrimos também, numa cena muito engraçada, o porquê do título do filme. O sexo no filme é forte e natural; vemos Luisa fazer o sexo surgir não só como fuga, mas também resultante de uma genuína atração que ela sente pelos dois jovens, donos de malícia ingênua e tenra beleza. Com ela, eles são apenas dois meninos descobrindo que o sexo é muito mais que impulso e rapidez, mas que, sobretudo o sexo é calma e exploração, tendo como ferramentas dedos e línguas. Posso dizer que as (para usar uma linguagem próxima da do filme) trepadas do filme são curtas, cruas, e nem por isso, menos maravilhosas. Há um momento que me lembrou O Segredo de Brokeback Mountain, quando Julio vê o amigo transar com Luisa ele sente uma forte dor física; talvez isso queira dizer algo. O final torna-se triste, com uma morte e uma amizade desfeita (o rompimento da amizade aqui não me pareceu muito condizente com a realidade, devido o alto grau de afinidade entre os dois e tempo em que essa amizade existia). O roteiro original é inteligente e foi indicado ao Oscar; a narração do filme, às vezes bem filosófica, é o fator pé no chão da história. Diego Luna e Gael García Bernal dão conta muito bem de papéis, mas não brilham tanto quanto Maribel Verdú. Bom filme; outro acerto do Alfonso Cuarón, que até aqui só errou quando fez uma nova adaptação do filme Grandes Esperanças.
Mostrando postagens com marcador Road Movie. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Road Movie. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Desprendimento
Desprendimento, está é a palavra que eu estava procurando. Alguns atores às vezes nos brindam com maravilhosas atuações exatamente por conseguirem um nível altíssimo de desprendimento e mergulhar sem reserva alguma em seus personagens. Isso, por exemplo, aconteceu com Ruth Gordon em Ensina-me a Viver, com Brenda Blethyn em Segredos e Mentiras, com Ellen Burstyn em Réquiem para um Sonho e, para citar um ator, com Marlon Brando em Uma Rua Chamada Pecado. E acontece aqui com Geraldine Page. Não dá para acreditar que a simpática velhinha não seja real, de tão convincente; não é à toa que a atriz ganhou o Oscar por este papel. O filme é um Road Movie bem singular, que conta a história de uma velhinha que sente uma atração irresistível por seu passado. Não querendo mais viver na companhia de seu filho frustrado e de sua nora azeda, ela não espera mais uma permissão que sabe que lhe será negada e parte sozinha, de ônibus em busca de seu sonho. A viagem é repleta de surpresas emocionantes. Um filme maravilhoso, filmado com graça e simplicidade. Há um sentimento muito verdadeiro envolvendo esta película. O filme também conta com Rebeca DeMonay, fazendo um bom trabalho. Amantes do cinema, não percam O Regresso para Bountiful.
Marcadores:
Drama,
Geraldine Page,
Oscar,
Road Movie
Assinar:
Postagens (Atom)
