Sabe aquele filme que vamos ver sem nenhuma expectativa e nos deparamos com uma boa surpresa? Uma Família Bem Diferente (Breakfast with Scot, Canadá, 2007) (mais uma vez a tradução brasileira peca, ao fazer uma tradução sem graça, como se quisesse suavizar o que já é levíssimo e, pior, o título original já é famoso, pois dá nome ao livro lançado em 1999) é um exemplo. O casal gay, Eric e Sam, tem suas vidas mudadas com a chegada de Scot (com um “t” apenas, rsrs), um menino de onze anos. Scot perdeu sua mãe e seu pai canalha está no Brasil sem mostrar muita preocupação com ele. Scot terá que morar com Eric e Sam até que o pai venha buscá-lo. Eric já foi um astro do hóquei até que, distraído com um garoto, sofre uma contusão no jogo e encerra sua carreira. Cinco anos depois Eric não recebe bem a notícia da chegada de Scot, mas, no desenrolar da história, é justamente Eric que desenvolverá uma bonita relação pai e filho com o menino. O diretor conduz a história leve e bem-humorada, tentando sempre mostrar os gays como pessoas normais e consegue isso lindamente. Os momentos mais engraçados do filme ficam por conta de Scot, pois ele é gaysíssimo, chegando a usar um sinto com poodles e o Eric tentando fazer o menino tomar jeito de homem (= jeito de hétero). Muito interessante a idéia de Michael Downing, autor do livro, de por Scot como um menino com tendências muito gays. Na novela de Downing, o personagem Scot, tido pela crítica como uma das mais ricas personagens infantis dos últimos anos, já chega ao lar do casal com esses traços característicos o que já impede o leitor de fazer ilações sobre se o menino sofrerá ou não influências de comportamento. Filme leve e bem intencionado que merece ser visto.
sábado, 3 de abril de 2010
Mamãe Faz 100 Anos
Carlos Saura nos dá mais um presente cinematográfico: Mamãe Faz 100 Anos (Mamá Cumple 100 años, 1979). Ele nos dá a oportunidade de ver a experiente Rafaela Aparício no papel da centenária mãe; uma mãe que criou, ou melhor, moldou os filhos a seu gosto e, agora, já sem controle sobre eles, ela os vê crescidos e andando com as próprias pernas, e para caminhos que ela não traçou. Muito lúcida, ela sente isso tudo como um tipo de traição e nada mais faz do que observá-los nessa sua festa, nesse seu antigo casarão. A história é poderosa como metáfora, quando ligamos a mãe à própria Espanha, antiga e tolhedora dos movimentos de seus filhos; e estes, como metáforas dos avanços do Estado, uns bons e outros nem tanto. Indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
A Cor do Dinheiro
Desafio à Corrupção
O filme Desafio à Corrupção, de 1961, foi dos grandes filmes da carreira do Paul Newman, lhe valendo uma indicação ao Oscar, ao dar vida a Eddie “Fast” Felson. O diretor, Martin Scorsese, traz de volta esse maravilhoso personagem com o mesmo maravilhoso ator que o deu vida no cinema e, dessa vez, premiado com o Oscar. Tanto Scorsese como Paul Newman foram muitos inteligentes na reconstrução do velho mestre da sinuca, mostrando sutilmente o que o tempo fez com ele. Tom Cruise e Mary Elizabeth Mastrotonio também estão ótimos no filme, ele como jovem inexperiente, apesar de talentoso, que se deixa levar como títere pela ambição; ela como mulher sensata o bastante para sempre tomar a decisão certa. A Cor do Dinheiro (The Color of Money, 1986) é um filme envolvente, não chagando a ser tão bom quanto Desafio à Corrupção, mas que vale muito a pena ver, principalmente pela atuação de Paul Newman.
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Os Infiltrados
Os Infiltrados (The Departed, 2006) é um filme instigante, com trama complexa e adornado com soluções visuais criativas, mostrando que o tempo não limou as boas idéias do Scorsese, e boas idéias são uma das características de um grande diretor sempre. Esse jogo de gato e rato é uma refilmagem do filme Conflitos Internos, de 2002. O elenco é ótimo: além de Jack Nicholson, se destacando os dois agentes interpretados por Matt Damon e Leonardo DiCaprio, em atuações inspiradas. E as ótimas qualidades técnicas dos filmes do Scorsese, mormente edição e trilha sonora.
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O Rei da Comédia
Esse é um filme curiosíssimo, pelo fato de talvez ser o contrário de uma comédia. Não dá para ter uma noção das estruturas dos personagens em só uma assistida. A primeira das amargas ironias está no título, o filme é apresentado como comédia, o personagem principal se vê ou tem a pretensão de ser comediante, e o verdadeiro comediante da história não tem nada de engraçado na sua vida real. Ou seja, tudo que se pretende engraçado, não é de fato. É tudo aparência e fingimento, ou melhor, amarga ilusão (por mais que se acredite nela). Acho uma ousadia do Scorsese ter feito O Rei da Comédia (The King of Comedy, 1982) e uma ousadia maior ainda do Robert De Niro fazer um homem mais que patético, pelejando para ser o rei da comédia, e ainda por cima atuar com Jerry Lewis numa área que ele domina; o resultado foi uma atuação excelente, assim como a do próprio Lewis. A presença excêntrica da Sandra Bernhard é algo que sempre me agrada. Bom filme para reflexão.
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Depois de Horas
Scorsese consegue pintar sua querida Nova York das formas mais pungentes ou mais sutis, como nessa “comédia”, nos mostrando os vários tipos da cidade e suas loucuras particulares e coletivas. Depois de Horas (After Hours, 1985) é tido por um dos mais completos e complexos do Scorsese, dando margem a interpretações diversas. Griffin Dunne está ótimo como o cara que se vê envolvido em uma engraçada (para nós) seqüência de equívocos. Palma de Ouro de direção.
Cassino
Cassino (Casino, 1995) é mais um filme sobre máfia, baseado em uma história real e dirigido por Martin Scorsese. No elenco, nomes consagrados com quem Scorsese gosta de trabalhar, Robert de Niro e Joe Pesci. Thelma Schoonmaker mais uma vez edita maravilhosamente bem um filme do Scorsese, o que lhe dá muito de sua força. Não dá para negar as semelhanças, em muitos aspectos (elenco = personagens, edição, trilha sonora, e o fato de ser uma adaptação de um livro do Nicholas Pillegi), com Os Bons Companheiros, e isso talvez tenha prejudicado o filme no sentido de não apresentar idéias originais. A surpresa do filme foi o reconhecimento do talento dramático da Sharon Stone (linda e exuberante); ela já tinha demonstrado esse talento antes, mas só aqui foi reconhecido, gerando o Globo de Ouro de melhor atriz e uma indicação ao Oscar na mesma categoria.
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Cabo do Medo
Cabo do medo (Cape Fear, 1991), nova versão do cult O Círculo do Medo (de 1962), é um suspense eletrizante que conta a história de um ex-condenado obcecado por vingança. Robert De Niro faz um super vilão que entrou para a história do cinema. Juliette Lewis, em mais uma de suas perturbadoras atuações, também chama atenção. Ainda no elenco os ótimos Nick Nolte e Jessica Lange. Muito bom.
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“Tanto quanto eu posso lembrar, eu sempre quis ser um gangster”.
Um dos melhores filmes sobre a máfia norte americana, realizado com brilho e vigor por Martin Scorsese, um craque no assunto. Os Bons Companheiros (Goodfellas, 1990) é uma adaptação de um livro baseado numa história real e sua truculência impressiona. Os diálogos são ótimos, pois o próprio Nicholas Pillegi, autor do livro, contribuiu no roteiro. Excelente trilha sonora e outra vez Thelma Schoonmaker genial na edição. As atuações de Robert De Niro, Ray Liotta, Lorraine Bracco e Paul Sorvino estão perfeitas, e Joe Pesci se destaca numa atuação incrível, vencedora do Oscar de ator coadjuvante. Grande obra.
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